Rastreabilidade e controle do ouro ganham destaque em debate sobre o futuro da mineração

Palestra e talk show realizados na EXPOSIBRAM 2026 reuniram especialistas para discutir a formalização da mineração de pequena escala, o combate ao ouro ilegal e o aprimoramento dos mecanismos de fiscalização e garantia de origem

Uma nova perspectiva sobre a classificação das atividades de mineração no país, a partir do estudo do Instituto Escolhas, denominado “Nem todo garimpo é pequeno, nem toda mineração é grande: definindo os portes operacionais”, foi apresentada durante a palestra “Os caminhos percorridos pelo ouro”. O painel foi ministrado pela diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas, Larissa Rodrigues, no quarto dia da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026).

Em sua apresentação, Larissa Rodrigues destacou os avanços obtidos no combate à ilegalidade e à lavagem de ouro no Brasil, ressaltando medidas como a adoção da nota fiscal eletrônica e o aumento da responsabilização dos compradores. Ela defendeu a estruturação da mineração de pequena escala, o fortalecimento do cooperativismo, a adoção de regras adequadas aos diferentes portes de operação e o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM). “É preciso levar esse segmento a sério, ou seja, estruturar regras, ter coerência, regulação assertiva e profissionalizar”, afirmou Larissa.

Na sequência, teve início o talk show “Os controles na comercialização do ouro no Brasil”, que abordou os desafios para combater a entrada de ouro ilegal no mercado, com ênfase em rastreabilidade, fiscalização e integração entre os órgãos públicos.

Participaram do talk show o presidente da G Mining Ventures Brasil e vice-presidente Corporativo de Sustentabilidade da G Mining Ventures, Eduardo Leão; o superintendente de Fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM), Fernando Alves Drummond de Oliveira; o coordenador nacional do Cooperativismo Mineral na OCB e presidente da Federação das Cooperativas de Mineração do Estado do Mato Grosso (FECOMIN), Gilson Gomes Camboim; o gerente do Programa Ouro Alvo da Polícia Federal, Gustavo Caminoto Geiser; a diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas, Larissa Rodrigues; e a procuradora da República do Amazonas e do Ministério Público Federal, Sofia Freitas Silva.

Fiscalização exige integração entre organizações

A alta liquidez do metal e a necessidade de integração entre sistemas foram apontadas por Fernando Alves Drummond de Oliveira como alguns dos principais obstáculos ao aprimoramento dos mecanismos de controle. Segundo ele, a integração deixou de ser uma alternativa e passou a constituir uma exigência para assegurar maior estabilidade e efetividade à fiscalização. “Não há mais espaço para dizer sim, não é mais uma opção para estabilidade, é uma exigência”, afirmou.

Sofia Silva defendeu a implementação efetiva das medidas de controle adotadas nos últimos anos e ressaltou que a nota fiscal eletrônica, isoladamente, não é suficiente para garantir a rastreabilidade do ouro. Em sua avaliação, é necessário estabelecer mecanismos que permitam às empresas verificar a procedência do minério e a compatibilidade entre a capacidade de produção das áreas declaradas e o volume comercializado, de modo a impedir a entrada de ouro ilegal na cadeia produtiva.

Outro aspecto abordado no talk show foi a evolução dos mecanismos de controle e das técnicas periciais empregadas para identificar a origem do ouro. Gustavo Caminoto Geiser explicou que análises isotópicas, químicas e outras ferramentas especializadas possibilitam confrontar as características do material com a documentação apresentada. “Mistura tem assinatura de mistura”, afirmou, destacando a importância de associar a rastreabilidade documental à análise física e química do material.

Fortalecer a legalidade dos garimpeiros

Representando o cooperativismo mineral, Gilson Gomes Camboim defendeu o fortalecimento da legalidade e o aprimoramento da comunicação entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e pela regulação do setor. Também destacou que a formalização das atividades pode contribuir para reduzir o uso de mercúrio, ao favorecer a adoção de técnicas alternativas e mais adequadas.

Na avaliação de Fernando Alves Drummond de Oliveira, a ANM pretende avançar ainda neste ano com uma solução experimental voltada à garantia de origem do ouro. A proposta, segundo ele, busca priorizar o acompanhamento do minério ao longo da cadeia produtiva, em vez de concentrar a atuação exclusivamente sobre os trabalhadores da atividade. “A ideia é seguir o ouro, não perseguir garimpeiro”, afirmou.

Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026

A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.

A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).

No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.

Serviço:

EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/

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