Confiança e responsabilidade redefinem o papel das empresas na geração de valor
Tema foi debatido durante a EXPOSIBRAM 2026 por Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais da Anglo American, e Paul Polman, líder empresarial, acionista e filantropo, que destacaram a importância da liderança, da transparência e da cooperação para uma atuação empresarial de longo prazo

Tema foi debatido durante a EXPOSIBRAM 2026 por Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais da Anglo American, e Paul Polman, líder empresarial, acionista e filantropo, que destacaram a importância da liderança, da transparência e da cooperação para uma atuação empresarial de longo prazo
Em seu segundo dia de programação, a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026), realizada no Expominas, em Belo Horizonte, promoveu a palestra “Impacto positivo: como as empresas corajosas prosperam dando mais do que tiram”. O encontro reuniu o diretor de Operações Globais da Anglo American, Ruben Fernandes, e o líder empresarial, acionista e filantropo Paul Polman.
Ao longo da discussão, os painelistas refletiram sobre os caminhos para que as empresas conciliem crescimento econômico, sustentabilidade e geração de valor para a sociedade e para o planeta, reforçando a necessidade de uma atuação empresarial orientada não apenas pelos resultados, mas também pelos impactos positivos que é capaz de produzir.
Para isso, a construção de uma cultura organizacional aberta e pautada pela confiança foi apontada como fundamental, especialmente para que os profissionais se sintam seguros para comunicar riscos, relatar problemas e manifestar dúvidas. Entre os principais pontos debatidos, os painelistas ressaltaram que o setor ainda enfrenta desafios importantes relacionados à prevenção de acidentes, à promoção da diversidade e à consolidação de ambientes de trabalho que estimulem o diálogo.
Nesse contexto, destacaram a importância de fortalecer uma cultura na qual o pedido de ajuda seja reconhecido não como sinal de fragilidade, mas como uma atitude responsável e essencial à prevenção de riscos e à construção de ambientes mais seguros.
A proximidade da liderança com as operações também foi destacada como um elemento fundamental para o fortalecimento das relações de confiança. Nessa perspectiva, o contato direto com as equipes e com as comunidades, sobretudo em situações de crise, pode ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados no cotidiano e contribuir para decisões mais consistentes e qualificadas.
Ao abordar o tema, Paul Polman recorreu ao conceito de “confiança invisível” presente entre os pilotos nos Estados Unidos, utilizando a referência para ilustrar como relações baseadas em confiança, responsabilidade e colaboração são essenciais para o bom funcionamento das equipes.
“Trata-se de compreender a relação entre as equipes e confiar que cada pessoa está fazendo o seu melhor, o tempo todo. É buscar compreender o desafio em sua dimensão mais ampla, e não apenas os problemas que dele decorrem, fazendo as perguntas certas. Quando se formula a pergunta adequada, abre-se a possibilidade de enxergar a situação sob uma perspectiva diferente”, afirmou Polman.
A partir dessa reflexão, o empresário defendeu uma liderança pautada pela escuta, pela confiança e pela capacidade de considerar diferentes percepções sobre os riscos, ampliando a compreensão dos desafios e qualificando a tomada de decisões.
Outro aspecto abordado foi a capacidade das organizações de transformar falhas e notícias negativas em oportunidades de aprendizado e aprimoramento. Na avaliação dos painelistas, os valores corporativos somente se convertem em resultados concretos quando são acompanhados por comportamentos coerentes e consistentes por parte das lideranças.
“Uma boa pergunta pode, de fato, mudar uma decisão importante para o negócio. Mas uma conversa também pode transformar a cultura. E a cultura começa conosco”, ponderou Polman, ao reforçar o papel da liderança na construção de ambientes capazes de aprender com os erros e evoluir a partir deles.
Cooperação como estratégia
A colaboração entre empresas também foi apontada como uma alternativa para enfrentar desafios ambientais e operacionais de maior complexidade. Como exemplo, foi apresentado um projeto desenvolvido no Chile envolvendo duas minas vizinhas, com a proposta de integrar operações e, dessa forma, reduzir impactos.
A experiência demonstrou que iniciativas conjuntas podem ser viabilizadas quando existe disposição para o diálogo, negociação e construção de soluções criativas e compartilhadas. “Como podemos colaborar mais na nossa indústria?”, questionou Polman, ao defender uma atuação mais integrada entre as empresas e a ampliação de iniciativas capazes de gerar benefícios para o setor e para a sociedade.
Ao final do encontro, os painelistas defenderam uma atuação empresarial orientada pelo longo prazo, pela regeneração e pela transparência. A perspectiva apresentada parte do entendimento de que as empresas precisam assumir responsabilidade pelos impactos que produzem para além dos limites físicos de suas operações, ao mesmo tempo em que ampliam a construção de parcerias com diferentes setores da sociedade.
“Você não pode construir confiança se não há transparência”, afirmou Polman. O executivo também ressaltou que as organizações devem ser transparentes não apenas em relação às suas fortalezas, mas também às suas falhas. Para ele, essa postura é fundamental para estabelecer relações mais genuínas, fortalecer a confiança e contribuir para a construção de valor sustentável.
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